Eu demorei tanto para conseguir fazer essa resenha, Vida após a morte é um livro bem forte e por se tratar de uma história real, escrita por um dos envolvidos, melhor dizendo, por uma das vítimas, acaba mexendo com o leitor, então fica bem difícil expressar uma opinião.
Informações do livro:
Título: Vida após a morteAutor: Damien Echols
Editora: Intríseca
Páginas: 398
Sinopse:
Aos dezoito anos, Damien Echols foi apontado como líder de um grupo satanista e principal responsável pelo assassinato de três garotos de oito anos em West Memphis, no Arkansas. Após um julgamento marcado por falsos testemunhos, provas manipuladas e histeria pública, em 1994 seus amigos Jason Baldwin e Jessie Misskelley foram condenados à prisão perpétua, e Damien foi enviado ao corredor da morte, onde aguardaria sua execução. As irregularidades gritantes no desenrolar do processo, bem como a apatia dos advogados de defesa, chegaram ao conhecimento do público dois anos depois, quando a história conquistou repercussão mundial através de um documentário. Nos anos seguintes, foram produzidos outros três documentários sobre o caso e a causa foi abraçada por celebridades de Hollywood, que se empenharam vigorosamente para que a justiça fosse feita, o que culminou com a libertação do trio de West Memphis em 2011.
Resenha:
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Damien Echols quando adolescente era parecido com o que hoje chamamos de Góticos ou coisa parecida, ele veio de uma infância pobre e complicada, muitas mudanças, separação dos pais e um padrasto abominável, como muitos dos garotos ele se refugiava na música e no skate, tinha alguns costumes peculiares, mas ao que me parece ele só queria o que quase todo mundo quer, ser diferente e se destacar da mesmice, no entanto agir dessa forma quando se mora em uma cidade do interior como West Memphis com pouco menos de 30 mil habitantes e quase todas as pessoas são extremamente religiosas pode pegar mal e chamar muita atenção negativa..
"Não quero uma vida "santa" de prece e contemplação. Quero uma vida de discórdia, luxúria, lutas, buscas, esforços e devassidão. Não me contento com uma única experiência quando há toda uma gama de experiências a ser vivida."
Aos 18 anos Damien e dois amigos foram acusados de pertencerem a um grupo satânico presos por um crime que não cometeram o assassinato brutal de três meninos em rituais satanistas, e diante de falsos testemunhos, provas forjadas e pouco interesse da polícia em achar os verdadeiros culpados, Echols foi condenado a pena de morte e os seus amigos a prisão perpetua, O trio de Memphis como ficaram conhecidos, ficaram 18 anos presos.
Damien, Jessie e Jason
Antes e Depois
Jessie, Damien e Jason
Jessie Misskelley Jr. Um dos amigos de Damien confessou o crime, aparentemente sobre tortura psicológica, o garoto sofria de retardo mental e seu depoimento gravado tem evidências de que o policial ditou o que ele deveria dizer, Jessie culpou Damien como mandante crime, mas não aceitou depor contra os amigos, Jason Baldwin tinha 16 anos na época do julgamento e foi julgado como adulto.
O livro é narrado em primeira pessoal por Damien, que traz uma leitura fluente, na verdade você sente lendo uma carta de um amigo próximo, ele alterna as descrições de sua infância com trechos do seu diário da prisão contando como era sua rotina no corredor da morte e todos os abusos que ele sofreu no período que esteve preso. Damien expões várias falhas do sistema penitenciário americano.
Quando Damien foi preso sua namorada na época Domini estava grávida, ele foi privado do nascimento e criação do filho, durante a tempo que esteve preso ele também conheceu Lori com quem se casou ainda na prisão, numa cerimônia simples em que apenas alguns amigos puderam assistir.
O caso dos rapazes chamou muita atenção na mídia, na época do julgamento a HBO fez um documentário chamado “Lost Paradise” que mostra cenas reais dos julgamentos e todo o descaso com eles, algumas personalidades da mídia americana também se interessaram pelo caso e passaram a defender Damien, Jason e Jessie, entre os mais conhecidos estão Johnny Depp, Eddie Vedder e Marilyn Manson , eles foram libertados em 2011, perante um acordo que assumiam a culpa do crime.
Eu achei o livro bastante emocionante e forte, não tem como não se indignar com a história e não se solidarizar com os rapazes, eu recomendo a quem for ler o livro que também assista o documentário “Lost Paradise” que ajuda entender melhor o caso, apesar de se tratar de uma auto biografia o livro não tem aquele estilo chato comum em biografias, é de fácil leitura e flui bem, recomendo a todos.
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