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Faz tempo que eu não posto comparações dos livros e suas adaptações cinematografias aqui no Blog, mas sábado passado acabei assistindo o lançamento "Inferno" e achei que merecia um post.

Antes de mais nada, como sempre digo, eu sei que adaptações não tendem a ser fiéis aos livros que as inspiraram, sei que são formatos diferentes e por isso algumas alterações são extremamente necessárias, ainda mais que muitas vezes são públicos diferentes, mas mesmo assim eu acho interessante falar sobre essas mudanças e apontar as que achei legais e as que não!


Eu li "Inferno" a 3 anos atrás em 2013, fiz uma resenha, quem quiser ler, só clicar aqui.

Eu confesso que estava bastante empolgada e esperando muito pelo filme, pois eu havia gostado dos outros dois, fazia tempo que eu não ansiava por um filme, ao começar assistir eu achei que estava tudo bem legal, o começo da trama foi bem parecida com a do livro, a maior alteração que eu havia notado era na aparência da Dr. Sienna Brooks que para quem leu o livro, sabe que ela possui uma característica em especial, que no filme foi ignorada e eu entendo que por motivos estéticos, pois ainda hoje se segue a velha receita da personagem feminina ter que ser perfeitamente linda e atraente, mas ignorando esse fato, seguia se como no livro, de forma mais enxuta, sem detalhar muito o cenário em volta, já que o livro acabou ficando bem maçante para quem não gosta de descrições exageradas.


Porém fui notando que toda a parte reflexiva, toda a parte filosófica que o livro trouxe, foi simplesmente esquecida, a questão da super população e o controle de natalidade não foi bem exposta o transhumanismo nem chegou a ser questionado, o que fez toda essa temática parecer mais a viagem de ácido de um lunático.

No entanto o que estava meia boca ficou bem ruim de uma hora para outra quando o filme foi chegando perto do fim, eles simplesmente mudaram tudo, personagens que no livro eram pessoas inteligentes e com um propósito significativo viraram apenas vilões mal intencionados ou com problemas psicológicos, mas o pior mesmo foi o final em si, no livro foi chocante e fez todo mundo que leu, questionar um pouco sobre o rumo da humanidade, sobre as consequências de tudo que estamos fazendo, já no filme virou uma cena de ação com mocinhos contra vilões, alguns socos e tiros, não poderia ser mais clichê, eu simplesmente fiquei bem frustrada com o final!

A mudança na personalidade dos personagens também foi algo que me incomodou bastante, Sienna foi a que mais me irritou, na obra original ela é o tipo de personagem que conquista logo no começo, inteligente ao mesmo nível que Robert Langdon, mesmo tendo ideias diferentes ainda sim você sente vontade de entender o lado dela, no filme ela foi apenas uma personagem bem decepcionante.

Foi um filme feito com o único proposito de vender, algumas pessoas que conheço já criticavam os demais filmes da franquia, esse só veio pra provar que não está valendo a pena mesmo continuar adaptando os "Dan Browns" para o cinema.

Sem mais, recomendo o filme apenas para quem gosta dos clichês de ação e corrida contra o tempo.






Informações do livro:

Título:Inferno
Autor: Dan Brown
Editora: Arqueiro
Páginas: 442


Sinopse:

Neste fascinante thriller, Dan Brown retoma a mistura magistral de história, arte, códigos e símbolos que o consagrou em "O Código Da Vinci", "Anjos e Demônios" e "O Símbolo Perdido" e faz de Inferno sua aposta mais alta até o momento. No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri. Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o leva para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo poema de Dante, e mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.


Resenha:

Inferno foi o livro que mais demorei para ler em 2013, não porque o livro é ruim, pelo contrário, é um ótimo livro, mas cheio de detalhes, descrições de obras de artes e lugares históricos e acho que todo mundo sabe que eu amo isso, no entanto eu gosto de pesquisar sobre tudo, quero ver imagens de cada obra de arte, cada lugar descrito o que acaba tornando minha leitura mais lenta, porém mais rica.

Rorbert Langdon mais uma vez se vê com um mistério nas mãos, no entanto dessa vez ele não tem sua grande aliada para ajudar, Sua mente, isso em partes porque ele continua com sua inteligência admirável mas ele perdeu a memória dos últimos dias, acorda em um hospital em Florença e não se lembra de nada, é informado que levou um tiro na cabeça mas os médicos não tem mais nenhuma informação, mas tudo começa ficar mais confuso quando seu médico é assassinado por uma moça de cabelos espetados que parece disposta a fazer o mesmo com Langdon e então com ajuda da doutora Sienna Brooks, o professor foge do hospital, no apartamento pouco convencional de Sienna, Langdon ao fuçar em suas coisas descobre que a moça é dona de uma mente brilhante e que foi uma espécie de criança prodígio, no apartamento Robert descobre também que tem várias pessoas atrás dele, e mais uma vez com a ajuda da doutora Brooks eles fogem.

Robert e Sienna se descobrem em um mistério que se não solucionado a tempo, poderá dizimar milhares de pessoas ao redor do mundo todo, mas Robert não se lembra do porque e nem de como foi parar em Florença e o que a obra “A Divina Comédia” do conhecido Dante Alighieri tem a ver com tudo isso, mas como o professor é um grande estudioso da obra de Dante, as coisas logo vão se encaixando.

Eu sou louca pela arquitetura italiana, então esse livro já me ganhou desde o começo, Langdon e Sienna Passaram por vários lugares magníficos como o Palazzo Pitti e o Jardim de Boboli, e com a ajuda das pesquisas na internet fica muito mais interessante a leitura, porque fica fácil imaginar cada cena descrita.

A história é recheada de muita ação o que te deixa sem folego facilmente, Robert e Sienna passam quase o livro todo fugindo entre Florença e Veneza e quando chega o final o seu queixo cai com toda certeza desse mundo, é inacreditável, tudo que se menos espera, acontece no final.

Como de costume Dan Brown trata de assuntos polêmicos, mas dessa vez ele não pega no calcanhar de Aquiles da igreja católica, ele vai de cabeça em um assunto mais real, a superpopulação e os males que isso poderá causar no futuro, fala também sobre o transhumanismo um tema não tão conhecido mas que com certeza vai deixar a maioria dos leitores bastante curiosos, como Brown sempre faz.

Dan Brown seguiu o seu já conhecido padrão de escrita,  li alguns comentários comparando-o com Arthur Conan Doyle, claro que ainda falta muito para Brown se igualar a Doyle mas os comentários tem sua ponta de verdade, mas são obras bem diferentes, o que vejo semelhança é nesse padrão determinado seguir um mesmo estilo, e acho então que Brown esteja seguindo essa receita de sucesso, suas descrições detalhadas, sua paixão pelas obras de arte italianas me fez pensar também na minha autora preferida, Anne Rice, mas esse estilo de Dan Brown não agrada a todos e o autor acaba sendo bastante criticado por isso.

Eu tinha separado bastante imagens para ilustrar esse post, imagens dos lugares descritos, mas infelizmente eu perdi tudo pois estavam no meu notebook e como eu disse no post anterior ele acabou quebrando, deixo aqui apenas algumas das que lembrei.


Palacio Pitti




"Certa vez, um arquiteto dissera que o palácio parecia ter sido erguido pela própria natureza, como se as imensas pedras de um deslizamento tivessem rolado pela longa escarpa até formar uma elegante pilha em forma de barricada lá embaixo. Apesar de mais difícil de defender por estar em terreno rebaixado, a sólida estrutura de pedra do Palazzo Pitti era tão imponente que Napoleão chegara a usá-lo como quartel-general quando estava em Florença."



Jardins De Boboli

"Langdon não ficou surpreso. Os Jardins de Boboli eram produto do excepcional talento criativo de Niccolò Tribolo, Giorgio Vasari e Bernardo Buontalenti – um coletivo de mentes brilhantes cujo virtuosismo estético havia criado naquela tela de cinco hectares uma obra-prima pela qual se podia caminhar."



Palazzo Vecchio


"Construído como uma poderosa sede para o governo italiano, o edifício recebe seus visitantes com um conjunto intimidador de estátuas masculinas. O musculoso Netuno de Ammannati, de pé em uma plataforma sobre quatro cavalos, simboliza o domínio de Florença sobre os mares. Uma réplica do Davi de Michelangelo – talvez o nu masculino mais admirado do mundo – ergue-se, em toda a sua glória, à entrada do palazzo. Ao Davi se somam Hércules e Caco – mais dois colossais homens nus –, que, junto com o grupo de sátiros em volta de Netuno, levam a mais de uma dúzia o número total de pênis que recebem os turistas."

Corredor Vasari



"O Corredor Vasari – foi projetado por Giorgio Vasari em 1564 a pedido do chefe da família Médici, o grão-duque Cosmo I, para servir como uma passagem segura entre sua residência no Palazzo Pitti e seus escritórios administrativos na margem oposta do rio Arno, no Palazzo Vecchio."

Essas imagens são dos locais que acho mais bonitos de Florença e que foram citado nos livros, tinha muito mais, mas como já expliquei, perdi as imagens, as descrições são trechos do próprio livro do Dan Brown, espero que tenham gostado.