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Informações do Livro:

Título: A dádiva do lobo 
Autora: Anne Rice 
Páginas: 477 
Editora: Rocco


Sinopse:

Na costa da Carolina do Norte, o jovem jornalista Reuben Golding prepara uma reportagem sobre a enorme propriedade do desaparecido Felix Nideck e acaba se envolvendo com a herdeira Marchent Nideck. Após algumas horas na mansão, porém, Reuben é atacado por uma criatura que o transforma em um lobisomem. Depois de tornar-se um tipo controvertido de herói na cidade, por ajudar quem está em apuros, Reuben precisa esconder-se da polícia, dos médicos e até da própria família, e aprender a lidar com suas novas habilidades. Primeiro livro da nova série da consagrada Anne Rice, A dádiva do lobo foi elogiado na imprensa americana.


Resenha:

Se segurem porque eu tenho bastante coisa para falar desse livro.


"Os arquitetos de qualquer sociedade dependem de mentiras"

Reuben é um jovem jornalista, dono de uma beleza notável, fato que o incomoda um pouco, em um de seus trabalhos o rapaz é mandado até a costa da Carolina do Norte para escrever uma matéria sobre a casa dos Nideck, ele é recebido por Marchent a atual proprietária que pretende vender o local, a moça tem um tio desaparecido a quase 20 anos, o misterioso Felix Nideck que logo de cara causa interesse em Reuben.

Encantado com a beleza do lugar Reuben passa a desejar a casa para ele, o moço também se envolve emocionalmente com a proprietária da casa, mas durante a noite algo muito trágico acontece, assassinatos brutais e muita violência, Reuben o único sobrevivente escapa após um animal estranho o morder violentamente.

Daí em diante já dá para se imaginar o que acontece, não é mesmo? Reuben é levado ao hospital e lá sua mãe que é médica se encarrega do seu tratamento, porém ela começa a notar algumas diferenças no filho, como crescimento fora da idade, seus cabelos aumentam e ele se recupera em velocidade espantosa, mas o que mais intriga a experiente médica é o fato de todo material genético que é colhido do filho acaba se tornando inutilizável em questão de minutos. Com a rápida recuperação, Reuben pode voltar para casa e ai que as mudanças começam de verdade, ele passa pela sua primeira transformação para o que ele chama de Lobo homem, porém sem ninguém para orientá-lo ele passa a ter que descobrir sozinho tudo sobre sua nova forma.

Eu nunca fui muito entendedora do mito de lobisomens, mas de Anne Rice eu sou e eu já imaginava que ela fosse reconstruir a lenda e com certeza de forma muito inteligente, o lobo homem criado pela autora, é imune a balas de prata e não depende da lua para se transformar, outra diferença está no fato de Reuben não se tornar uma besta fera sem controle na forma lupina.


Anne criou personagens secundários maravilhosos como sempre e alguns deles conquistam mais que o protagonista, como no caso de Margon que eu quero mais desse personagem nos próximos livros, não que eu não tenha gostado de Reuben, pelo contrário, achei um personagem ótimo, mas ele tem momentos que podem irritar qualquer leitor paciente, todo o questionamento do mal que traz de volta aquela clássica frase das crônicas vampirescas "O mal é um ponto de visto" um conceito particular, todos os questionamentos que ele tem em relação ao seu ser, mas quando tem oportunidade de obter resposta ele deixa tudo para um garoto de 16 anos perguntar e as respostas que o menino conseguir vai ser as que ele também vai ter, ficar ponderando se é educado ou não perguntar algo a respeito do que ele é, em minha opinião é ser muito sonso, mas em outros momentos ele consegue compensar esse lado bobo dele.

Achei também que Anne acabou dando uma pirada em certos momentos, principalmente em cenas protagonizadas por Laura e Reuben, digamos que zoofilia ou bestialidade não é algo que eu ache muito interessante, sem falar que Laura é de um sangue frio admirável, alguém que encontra um lobisomem dançando numa clareira e consegue se manter firme sem correr não pode ser lá muito normal.

O livro em minha opinião não é um dos melhores da autora, me deixou bastante indignada em certos momentos, a autora que me conquistou por sempre fazer descrições maravilhosas e esclarecer todos os fatos de forma mágica acabou me deixando confusa em algumas partes, fiquei por muito tempo pensando sobre a facilidade e naturalidade de alguns acontecimentos, acontecimentos esses que eu esperava mais coisas, mais explicações.



Outro ponto que passou a me incomodar nesse livro é o fato de Rice transforma qualquer personagem jovem em algo que não sei como definir, todos os personagens tem consigo uma bagagem cultural invejável, gostos musicais nada condizentes com a época, isso funcionava bem nas crônicas vampirescas pois se tratava de vampiros de muitos séculos de idade onde apenas o corpo tinha uma aparência jovem, mas quando se trabalha com jovens da sociedade atual isso não pega tão bem, não estou dizendo que pouca idade simbolize ignorância, acredito sim que muitas pessoas mesmo com pouca idade possam sim apreciar poetas antigos, gostar de música clássica, mas isso é pouco comum, um personagem até vai, mas dois, três já é forçar a barra.

Eu diria que Anne Rice errou um pouco na mão, todos esses anos sem escrever sobre seres da noite não fez muito bem a ela, o livro não é ruim, eu gostei da leitura e vou continuar com a série, mas fico na esperança que ela corrija alguns pontos, porque a história em si é realmente muito boa e com personagens muito bons, mas drogas nessa idade não é uma boa não viu tia arroz.

Eu quero deixar claro que Anne Rice ainda é minha autora favorita e que eu recomendo esse livro mesmo tendo não gostado 100%, e que eu não me arrependo em nada de ter lido.

Gente como é difícil apontar defeitos em alguém que admiramos muito.