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Informações do Livro:


Título: Os Lobos Da Invernia
Autor: Anne Rice

Editora: Rocco
Páginas: 431


Sinopse:


Na continuação de A Dádiva do Lobo, em que narra a surpreendente formação de um lobisomem, Anne Rice traz de volta o jovem Reuben Golding, antes um simples repórter do San Francisco Observer, agora transformado num híbrido entre dois mundos e vivendo sob a tutela dos Morphenkinder na suntuosa mansão de Nideck Point, na costa da Califórnia. Às vésperas do Natal, Reuben está tomado pela dádiva do lobo. Mas apesar do clima festivo, ele se sente inquieto, assombrado por fantasmas de seu passado e por dúvidas em relação ao verdadeiro significado do que se tornou no assustador e excitante Os lobos da invernia.”


Resenha:

Já faz alguns dias que terminei esse livro, mas só agora consegui fazer a resenha!

Nessa sequência de A dádiva do lobo que já foi resenhado aqui no blog, temos um Reuben confrontando seus problemas pessoais e familiares, Laura decide se juntar a tribo de Morpherkinder (Lobisomens) e passar a eternidade ao lado de seu amado, já o rapaz começa a ter sentimentos confusos quando percebe que a moça não é mais tão vulnerável e a ideia de nunca morrer começa a causar certo espanto em sua cabeça, ele percebe então que toda sua família vai envelhecer e morrer e que ele terá que aprender a lidar com isso.

Jim seu irmão e padre revela segredos a Reuben que ele jamais puderá imaginar, o eclesiástico escondia um passado bem triste e que obviamente volta a bater em sua porta, Celeste sua ex noiva o surpreende com uma boa noticia, mas que por outro lado o deixa mais confuso ainda, Reuben se vê tendo que ajudar o irmão e resolver sua vida.

Anne Rice trabalhou melhor  os outros personagens, tivemos um pouco mais dos antigos lobisomens, outros personagens entraram na serie trazendo mais mistérios com eles, o que acaba criando uma expectativa maior para um terceiro livro.

O que eu sempre gostei na escrita da tia Rice, foi o fato dela não se prender muito tempo em alguma coisa, não deixar aquela ansiedade se algo vai ou não acontecer, conseguir surpreender sem precisar ficar enrolando, mas nesse livro eu senti que ela criava um situação critica e depois arrumava uma solução simples demais para resolver logo.

Apesar de tudo eu gostei bastante do livro, foi bom me sentir de volta a Nideck Point, adoro as descrições dos locais que a autora faz, adorei a enorme casa que ela criou no primeiro livro e quando comecei o segundo me senti voltando a visitar o local e foi bem mágico. Reforço as minhas criticas referente ao fato dela sempre criar personagens jovens demais com carga cultural muito grande, mas acredito que isso é o que Anne gostaria que fosse verdade, que todos os jovens gostassem de ler, que se interessassem por coisas que fogem ao mundo que os cerca, enfim os pontos negativos não são de fato negativos, é aquela coisa que acontece com todo autor dono de uma série de livros de sucesso, quando ele resolve mudar seu foco, acaba causando estranheza nos leitores.

Confesso que ainda prefiro os livros que Anne Rice escreveu dentro das crônicas vampirescas, essa nova série é muito boa, mas não me faz reconhecer tanto a minha autora preferida. Talvez eu mude esse conceito quando ler a saga das bruxas.




Halloween Chegando, nada melhor do que entender como alguns personagens foram criados...



Quero avisar antes de mais nada, que não estou me importando com a opinião de quem tem um discurso pronto sobre “não comemorar datas que não fazem parte da nossa cultura”, mesmo porque esse post não é para enaltecer as comemorações e sim citar algumas curiosidades, então vamos lá.



No Halloween algumas figuras são quase que obrigatórias, bruxas, vampiros, fantasmas, Frankenstein e múmias, são os mais clássicos, mas sabiam que algumas dessas lendas foram esboçadas em uma reunião a beira do lago a convite de ninguém mais, ninguém menos que Lord Byron?

Pois é, foi entre 15 e 17 de junho de 1816 que George Gordon Byron, o lorde Byron, o mais famoso poeta romântico da literatura britânica, o médico e escritor John William Polidori, o poeta Percy Shelly, sua namorada Mary Shelly e a meia-irmã dela, Claire Clairmont, depois de uma tempestade ficaram presos na mansão Villa Diodati e resolveram contar histórias de terror, quando não tendo mais histórias a contar eles resolveram criar as suas próprias a partir de uma especie de aposta.

John Polidori ao ler manuscritos de Byron (seu chefe na época) sobre criaturas monstruosas que se mantinham vivas ao se alimentar de sangue humano inspirou-se a escrever o que mais tarde tornaria-se um dos primeiros contos a descrever o vampiro como ele é hoje conhecido, a criatura deixou de ser apenas um monstro para um ser aristocráta e sedutor, influenciando mais tarde autores como Bram Stoker, Anne Rice e Edgar Allan Poe. O vampiro criado por Polidori o excêntrico e mal caráter lorde Ruthven parece ser inspirado também no comportamento de Byron, acredita-se que o autor usou seu antigo chefe ao traçar o perfil do vilão.

Essa imagem não se refere ao vampiro de Polidori, apenas está ilustrando o post.
Outra criatura que teve seus primeiros relatos nessa reunião foi o Frankenstein, Mary Shelley sempre ouvira relatos entre seu na época namorado Percy Shelly e Lord Byron sobre algo conhecido como Galvanismo, que era uma teoria da possibilidade de dar vida organismos com descargas elétricas, então ela escreve a história que dois anos depois se tornaria o famoso romance Frankstein, acredita-se que a obra tinha um tom de crítica e questionamento aos avanços da medicina e as responsabilidades que isso trazia.



Outros contos de menor expressão foram originados nessa reunião, mais alguns vampiros e fantasmas saíram de lá. E pensar que um final de semana qualquer, para relaxar e conversar com amigos, acabou criando duas das maiores lendas já criadas pela literatura é bem interessante.

Espero que tenham gostado dessas informações da mesma forma que eu gostei, tomei conhecimento a pouco do conto de Polidori através de uma fanpage no Facebook, no entanto para minha surpresa, minha irmã ganhou um livro no colégio que reunia alguns contos de vampiros e no livro informava resumidamente as origens de cada um, e tinha lá “O vampiro” de John Polidori, e lendo um pequeno relato dessa reunião, eu resolvi pesquisar mais sobre esse acontecimento e descobri que foi mais interessante do que eu pensava.


E vocês, o que acharam? Me contem nos comentários.



True Blood é uma das minhas séries preferidas e felizmente está chegando à sua 6° temporada que começa domingo dia 16/06/2013.

Adoro vampiros e tudo que envolva fantasia, lobisomens, anjos, bruxas, demônios, fadas, metamorfos e etc e True Blood reúne tudo isso.

True Blood teve sua primeira temporada em 2008, a série conta a história de garçonete Sookie uma mocinha sem sal que é irmã de Jason o típico garotão muita pose e pouco conteúdo, mas super família, os dois foram criados pela avó depois da estranha morte dos país. Em True Blood temos um cenário de coexistência entre vampiros e humanos, sim os vampiros se revelaram, saíram dos caixões e estão aos poucos sendo aceitos pelos humanos, ou pelo menos quase, os vampiros agora se alimentam de Tru Blood (sangue sintético e sim é “Tru” mesmo), mas a maioria faz isso apenas por faixada.

Sookie se apaixona por Bill o vampiro “bonzinho”, mas ao longo da série fica dividida entre Bill e Eric o vampiro sínico, arrogante, sem muitos escrúpulos, loiro, alto bonito e sensual (kkk) e ainda tem Sam seu patrão e mais para frente  Alcide para brigar pelo coração da mocinha sem sal e açúcar, como isso gente? Mas ok né.




Detalhe: Sookie (Anna Paquim) e Bill (Stephen Moyer) são casados de verdade.

Em True Blood acontece comigo o mesmo que acontece na maioria dos livros, eu não consigo gostar dos personagens principais, exceto Eric que é um caso a parte, mas em True Blood meus personagens preferidos são:

Jessica Hamby (Deborah Ann Woll): Vampire Baby, cria de Bill, linda e rebelde, ela quer aproveitar a vida (ou morte) de Vampira e fazer tudo o que não podia fazer por causa de sua família rígida, Jéssica está sempre protagonizando as cenas mais inesperadas e sensuais da série toda, tem um romance com Hoyt o filhinho da mamãe e melhor amigo de Jason, mas Jéssica é muito libidinosa para um relacionamento monogâmico e começa a se envolver com Jason e acaba quebrando o coração de Hoyt e estragando a amizade dos dois, agora me digam, tem como não amar?



Pamela Swynford (Kristin Bauer): Eu poderia dizer que Pam é a minha preferida, mas acho que ela fica empatada com Jéssica, ela tem tudo que eu gosto em uma personagem, é malvada (ta nem tanto) inteligente, sexy e leal ao seu criador Eric Northman (Alexander Skarsgard), única coisa que não gostei de Pam na série é seu envolvimento com a Tara.




Eric Northman (Alexander Skarsgard): Eric é o Viking bonitão xerife (dos vampiros) de Bom Temps, e junto de Pam são donos da boate Fangtasia, um lugar que recebe humanos e vampiros e quem mais tiver coragem de se aventurar por lá, Eric não é o tipo de vampiro bonzinho, pelo contrário, ele faz muitas coisas erradas, mas ele ainda tem um pouco do lado humano que às vezes deixa transparecer, ainda mais quando tem Sookie na parada, gosto dele porque mesmo apaixonado pela moça ele mantêm a racionalidade (ou quase) e ele é o típico fodão, protagoniza as cenas mais “explosivas” da série, junto de Bill conseguem ir contra até a “Autoridade”, ele é simplesmente demais, só sinto raivinha dele quando maltrata Pam, não pode.




Queria também lembrar da Rainha Sophie Anne (Evan Rachel Wood) e Godric (Allan Hyde) que embora tenham aparecido pouco na série, com certeza foram personagens especiais e eu gostava muito, não acreditei no fim que Sophie Anne teve e não me conformo até hoje.

Personagens odiozinho:

Tara Thornton (Rutina Wesley): Tara começa sendo a porra louca que fala tudo na cara, não leva desaforo para casa e depois se torna a vadia chorona que só se envolve com caras problemas que tem relações com demônios e morrem depois ou com vampiros que explodem na sua cara, ela é muito chata e quando você acha que chegou o fim pra ela, onde ela leva um puta tiro na cabeça o inesperado acontece e ela vira a primeira cria de Pam. Por que meu Deus? Por que linda Pam, por que não deixou essa chata morrer?


Acho que só, não tenho ódio por mais nenhum dos personagens, tenho relação de amor e ódio com alguns como: Sam, Andy, Arlene e Terry, Luna, Jason e Bill (ok Bill é mais ódio que amor, mas né...). O resto do elenco também fica nessa de amor e ódio...

Bill Compton (Stephen Moyer): Beal é meio que Louis de Pointe Du Lac de Entrevista com o Vampiro, o típico vampiro que se lamenta por ser quem é, vive isolado, mas isso muda um pouco com o desenrolar da série, mas ele continua chato, só dar um pouquinho de poder na mão dele e pronto ele já se acha o fodão, mas não, ele é apenas chato.




O roteirista maluco da série Allan Ball, ou melhor, era, ele deixou a série agora nessa sexta temporada e é algo que eu ainda não decidi se gostei ou não, eu gosto dele, mas acho que ele fez muita cagada durante a série, coisas que me deixaram bem puta... “Por que Jesus e não Tara”.


Allan é meio aficionado pela morte, dizem que pelo fato de ter presenciado a morte de sua irmã em um acidente de carro em que ela mesma dirigia, era aniversário de 22 anos dela e ele com 12 anos a acompanhava, a cena mexeu muito com ele e parece ter influenciado  sua vida.

Allan foi roteirista da marcante cena do filme “Beleza americana” (1999) em que uma sacola de supermercado fica voando pelo ar, filme dirigido por Sam Mendes. Allan também dirigiu a aclamada série Six Feet Under (A sete Palmos) que foi responsável pelo sucesso da HBO, obviamente a série fala bastante de morte, a história passa em uma funerária tendo como protagonistas a família Fisher, mas ao contrário de True Blood onde existe imortais em Six Feet Under o difícil mesmo é escapar da morte.

True Blood está de volta agora e eu estou bem feliz, espero que tenham gostado desse post sobre uma das minhas séries preferidas.







Título: A senhora da Magia
Série: As Brumas de Avalon
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Imago
Páginas: 248

Sinopse: Neste enorme e emocionante romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Igraine, Viviane, Guinevere, Morgana. Elas revelam, com as suas vidas e sentimentos, a lenda de Artur, como se fosse nova de, ao mesmo tempo, levam o leitor a integrar-se na história, de maneira natural e profunda. Assim, esta obra proporciona uma narrativa soberba de uma lenda, e a recriação dessa lenda, bem como a brilhante contribuição para a literatura do ciclo arturiano,




Sim, eu demorei demais para ler esse livro, mas não porque é um livro ruim, pelo contrário, trata se de um ótimo livro, porém cheio de detalhes, bastante complexo e precisa de muita atenção para não deixar passar nada.

As Brumas de Avalon é uma série sobre a lendária história do rei Artur que todo mundo já deve ter ouvido falar alguma vez na vida, porém o que diferencia os livros da Marion Zimmer Bradley dos livros do Bernard Cornwell é a ótica feminina que temos nesse livro, e isso muda muita coisa, embora muitos acreditem que as mulheres não tenham tanta importância nas guerras e conquistas, a autora conseguiu mostrar que elas também sofriam e se sacrificavam pelo bem da Bretanha.

O primeiro livro da série é dividido em duas partes, na primeira temos a história de Igraine a mãe do rei Artur que foi entregue ao casamento com o rei da Cornualha o velho Gorlois, por ordem da sua irmã e sacerdotisa Viviane A senhora da magia, Igraine cuidava de sua irmã mais nova Morgause e de sua filha Morgana, e após a morte de seu marido e por planos de sua irmã Igraine é mais uma vez entregue ao casamento, mas dessa vez a um homem que amava o Grande Rei Uther Pendragon, com que tem o seu primeiro e único filho homem, Artur.

Após o segundo casamento Igraine se torna aquela personagem que você quer pegar pelo pescoço e sacudir até ela colocar o cérebro no lugar, ela se torna uma péssima mãe, joga todas as responsabilidade a Morgana, é descuidada com Artur e só pensa em agrada Uther, Isso acaba quando Viviane intervém levando Morgana para Avalon dando início a segunda parte da trama, que agora foca se na jovem menina que está sendo treinada para substituir a tia como grande sacerdotisa.

O livro também mostra a briga entre a religião neo-pagã dos druidas e o cristianismo, a autora se mostra claramente a favor dos Druidas.

O que eu não me agradou muito foi o fato de Merlin não ter sido bem trabalhado na história, acho que todo mundo que já leu ou viu os filmes sobre Rei Artur deve ter gostado de Merlin e então deixa-lo de lado assim não foi algo muito acertado, no primeiro livro também já “conhecemos” Gwynefair e Lancelote e embora a moça só apareça em uma pequena parte e já foi o suficiente para eu não me simpatizar com ela.

Artur só aparece no livro do meio para o fim, pois o livro conta a história desde antes o seu nascimento e de tudo que foi feito para que ele viesse ao mundo, porém o jovem Artur se tornou um dos meu personagens preferidos ao lado de Morgana, ele é fofo demais. (Não é bem essa palavra que define, mas foi a única que me veio em mente)

Eu gostei muito do livro, porém não é um livro muito fácil e eu não gostei muita dessa edição porque tem letras muito pequenas, mas fora isso é um livro/série que eu recomendo, porque a história é muito rica em detalhes, e te faz ver com outros olhos todas essas mulheres que tinham suas vontades subjugadas em prol do bem maior.

Muito em breve eu vou dar continuidade a leitura da série e o próximo livro a ser resenhado será "A grande rainha".

Como no mês de março o tema era Anjos e Vampiros eu nem tive muito trabalho para pensar em qual livro de vampiro eu iria ler, claro que seria algum da Anne Rice que eu ainda não tivesse lido e só me restavam dois das “Crônicas Vampirescas” e como eu já estava lendo “O ladrão de corpos” (resenha em breve) eu decidi que seria “Cântico de Sangue” o escolhido, foi então que notei que eu não faço muitas resenhas da minha autora preferida aqui no blog, o fato é que eu li os livros já tem bastante tempo e na época eu ainda não tinha o blog, mas se gostarem eu posso fazer dos outros, talvez seja uma boa hora para reler algum dos meus preferidos da tia Arroz, sem me estender mais, vamos à resenha.

Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
ISBN: 9788532521484
Número de páginas: 285

Sinopse: O vampiro Lestat volta à cena como narrador no mais novo livro de Anne Rice. Cântico de sangue é uma história de amor e lealdade, que faz os leitores retornarem à Fazenda Blackwood e os coloca frente a frente com o universo do proprietário Quinn Blackwood, e sua amada Mona. 







Atenção – Resenhas sobre livros da Anne Rice podem ser longas, cansativas e conter muitos spoilers.

Eu nunca fui muito fã de Lestat, na verdade é um caso de amor e ódio, gostei dele logo de cara nos primeiros livros da série, mas fui criando certa antipatia no decorrer das histórias devido ao fato dele mergulhar de cabeça na religiosidade e ficar muito choroso, já mencionei aqui no blog que tive uma dificuldade enorme em ler “Memnoch The Devil”, mas que depois no final eu percebi que se tratava de uma história magnifica, isso acontece muito com os livros da Anne Rice e com “Cântico de sangue” não foi lá muito diferente, já que mais uma vez temos Lestat de Lioncourt como personagem central da trama, o começo do livro é bem difícil, pois Lestat já começa se lamentando por desejar ser santo.
“Quero ser santo. Quero salvar almas aos milhões. Quero fazer o bem por todos os cantos do mundo. Quero combater o mal! - Quero minha imagem em tamanho natural em todas as igrejas, estou falando de uma estátua de um metro e oitenta, cabelo louro, olhos azuis.”
 E depois ele segue o livro dando um chega pra lá em mim (Oi, como assim?),  É que na verdade o livro tem logo de cara (depois de toda santidade destilada) um sermão aos fãs e seguidores de São Lestat que não gostaram muito da falta de ação por parte dele no livro Memnoch, então foi ai que percebi que eu não fui a única a não gostar muito da personalidade emotiva de Lestat.
“O que foi mesmo que aconteceu quando lhes dei Memnoch?...”

“... Eu fui à Corte de Deus Todo Poderoso e às profundezas uivantes da perdição, meninos e meninas, e lhes passei fielmente minhas confissões até o último tremor de confusão e aflição, tentando induzi-los a compreender através de minhas próprias palavras por que fugi dessa apavorante oportunidade de realmente me tornar um santo. E o que vocês fizeram? Vocês reclamaram!
“Onde estava Lestat, o Vampiro?”. Era só isso o que vocês queriam saber.”

Sim Lestat, nós sentimos falta do “Vampiro Lestat, mas que bom que ele voltou né?
Tem muita coisa de religião nesse livro, porém ele trata a religiosidade nesse livro de forma mais cômica e menos devota, exceto pelo santo em que ele dedica toda sua fé durante o livro, o misterioso São Juan Diego, mas nada muito excessivo ou cansativo.
“Nunca vi tantas pedras como na terra santa – pés descalços, camelos, imaginem aquela época, não surpreende que eles apedrejassem as pessoas...”
No entanto ao mergulhar mais e mais no livro eu consegui notar que não seria mais um livro de lamentações, pelo menos não por parte de Lestat, aliás, eu notei inclusive que o príncipe moleque estava mais maduro nesse livro, mas não gostei muito do motivo desse amadurecimento, dou mais detalhes no decorrer, não quero deixar a resenha sem sentido, o que acontece nesse livro é que a história de fato começa logo após a morte de Merrick e com perdão da palavra, mas meu Deus que vontade esbofetear a senhora Rice por causa disso, por que Merrick, por quê?  Não pode, Ok, me acalmei. E toda a falta de decoro de Lestat que não foi ter com os mais próximos de Merrick e comunicar sua morte e acho que ao menos David ou Louis merecia alguma explicação, mas não, Lestat nem se deu importância, ficou lá com o bobão do Quinn fingindo serem mortais excêntricos, eis que surge Mona Mayfair a amada de Quinn que foge de seu leito de morte, chega a fazenda Blackwood mal se sustentando em pé, Lestat na tentativa de poupar Quinn do sofrimento da perda da amada, transforma a moribunda em Vampira, ai que tudo começa a ficar bom, claro que um pouco de enrolação, mas que foi até legal de ler, Mona se mostra um garota mimada e metida a rebelde, que vira e mexe ofende Lestat com palavras perversas sobre seu passado e seu autoritarismo que ela mesmo aceitou ao ser criada por ele  e depois volta atrás pedindo perdão, acho que ela consegue ser mais chata que Louis quando foi criado, Louis era apenas depressivo, ela não, ela quer ser rebelde, quer ser dona de si, mas não sabe nem por onde começar e depende de Lestat para tudo, enquanto Quinn fica na tentava inútil de apaziguar tudo.
Esse livro é escrito de forma bem diferente dos outro, tem uma linguagem mais moderna e isso é inclusive ressaltado por Lestat durante a trama em vários momentos:
“Então abri por telepatia a fecha dura da porta do quarto de Quinn e adentrei. Adentrei? Por que não entrei? É essa artificialidade antiquada que precisa sumir. Entenderam o que eu queria dizer? Por sinal, entrei no quarto como um furacão, se vocês querem saber.”
Gosto muito dessa interação com o leitor, torna o livro descontraído e leve de ler.
Lestat continua egocêntrico como sempre, exaltando sua beleza sempre que pode, humildade é desconhecida pelo príncipe moleque.
“Como sou diabólico! E ela suspirou novamente, suspirou como se estivesse em êxtase, olhando para mim, é, isso mesmo, eu sou lindo, eu sei.”
Mas uma coisa começa a mudar, como eu já havia mencionado ele está mais maduro e menos egoísta (eu disse menos, não completamente) e o motivo eu digo agora, todo mundo sabe que Lestat se apaixona por qualquer ser, seja homem, mulher, criança, Taltos, vampiro, humano e o que for que tenha uma beleza diferenciada, porém é sempre algo lúdico e literal, mas dessa vez Lestat se apaixona de forma humana, eis que nesse ponto da trama surge Rowan Mayfair a bruxa, tia de Mona a ricaça pertencente aos Mayfair brancos, os que Merrick tanto evitava, essa mulher misteriosa e dona de um poder que abala Lestat consegue roubar o coração do Vampiro “santo” e o deixa desnorteado, toda vez que ela aparece em sua presença, eu devo admitir que não gostei muito de ver Lestat tão vulnerável, deixando seu lado humano se sobressaltar, mas enfim, foi algo novo que surpreendeu.
“Dentro de mim, a tempestade era inescapável, Mas sou tão forte, isso todos já sabem, não é mesmo? E quando se ama o outro como eu amava Rowan, não se procura ferir jamais. As operações triviais do coração extinguem-se em plena quietude, extinguem-se na humildade de eu poder sentir isso, saber isso e conter tudo dentro da minha alma prudente.”
Do meio para o final o livro se foca na busca de Mona por sua filha desaparecida, e ai então que os Taltos entram na história, os seres quase humanos de aparência infantil.
“E talvez a criatura mais estranha que eu já vira em minhas longas andanças pelo planeta”
E isso traz a trama de forma inusitada, ela, a rainha, a mais antiga, a poderosa Maharet, que até piadinhas de Lestat faz, devido a sua inexperiência com computadores e internet.
Bom o final fugiu um pouco do que estou acostumada com livros de Anne Rice, mais ação moderna, o que não me desagradou, pelo contrário, gostei bastante do final, porém durante quase todo o livro senti uma tentativa da autora em se adequar aos romances modernos e conclui que daria um bom filme.
 “E assim a poesia alça voo, ultrapassando a literalidade: És formosa, meu amor, terrível como um exército com estandartes, desvia de mim teus olhos porque eles me ofuscam, um jardim fechado é minha irmã, minha noiva: nascente lacrada, fonte selada.”
Eu gostei bastante do livro, gostei bastante de Rowan, gostei da personalidade, um misto de loucura, autoridade e inteligência, gostei da volta da personalidade cruel e ardilosa de Lestat que aparece em seus momentos de caça e de ação, me decepcionei  com o personagem de Mona, achei que seria mais interessante, mas não passou de uma mimada que todos passavam a mão na cabeça, inclusive seu tio Michael esse se superava, mas ele tinha motivos, havia uma culpa embutida nesse sentimento de proteção que ele a dedicava, pensei que ela e Quinn poderiam formar um casal mais enérgico, mas não foi o que aconteceu, todo aquele ataque dela contra Rowan por mais que tivessem motivos, me pareceu infantil e sempre que ela perdia algum motivo para atacar a tia, ela se apegava a outro, como Quinn mesmo mencionou em algum momento.
Senti um pouco de pena do Lestat apaixonado e não gostei disso, preferia sentir raiva de suas atitudes impensadas, mas foi até interessante ver como ele mudou, acho que sempre irei nutrir esse sentimento de amor e ódio por esse personagem, Lestat é a criação mais perfeita de Anne Rice, sem dúvida.
“Minha solidão nunca mais seria tão amarga. Com o passar dos anos, ela poderia se afastar de mim, poderia chegar a condenar o cúmulo da paixão que a levou aos meus braços, poderia estar perdida para mim sob algum outro aspecto concreto que arrancaria minhas lágrimas todas as noites, mas eu não a perderia jamais, porque não me esqueceria da lição de amor que aprendi através dela, e isso ela me deu, da mesma forma como tentei dar a ela.”
Desculpem pela longa resenha, mas quando se trata de alguma obra da mestra Anne Rice eu não sei ser breve, se alguém conseguiu ler tudo eu agradeço pela paciência.
Fiquei feliz de ter fechado o mês com dois livros dentro do tema sugerido, que venha o próximo mês Abril com todo seu terror ou suspense.





Sobre a Autora: Anne Rice é uma escritora norte americana que nasceu em New Orleans, Luisiana, no dia 4 de outubro de 1941.

Nascida Howard Allen O'Brien, ela mesma escolheu 'Anne' como primeiro nome, ao entrar na escola.
Em seus livros ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos mas com a diferença de lutarem pela sua sobrevivência através do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles, é um fardo a ser carregado através das décadas, séculos  e até milênios.

Seu livro de maior sucesso é "Entrevista com o vampiro". Anne relata que escreveu esse livro em apenas uma semana, após a morte de sua filha por leucemia, filha esta que está brilhantemente retratada na personagem Cláudia.